Era um lindo entardecer de domingo no Rio de Janeiro. Estava na casa da minha família no Recreio dos Bandeirantes e tentava me recuperar da fartura do almoço conversando no jardim. Meu irmão Lucas brincava com o cachorro e minha mãe preparava o café.
Sentado no banco que fica embaixo de um enorme limoeiro, meu pai lia o jornal e balançava a cabeça negativamente a cada notícia. “Onde é que este mundo vai parar?” Sua expressão estava preocupada, mas os olhos expressavam a mesma ternura que lhe era usual. Havia acabado de dar entrada na aposentadoria e após anos de dedicação, finalmente iria poder usufruir das belas coisas da vida. Poderia dedicar seu tempo a fazer as coisas que realmente lhe davam prazer. Esta era a minha opinião. Para ele era um certo sacrifício não contribuir mais ainda para fazer este planeta andar. Queria continuar trabalhando.
Toda minha vida ele foi um grande companheiro. De fazer o café da manhã a me buscar na escola todos os dias. Conversávamos sobre tudo e seus conselhos eram sempre enriquecedores.
Nesta tarde, me disse: “A vida passa muito rápido. Quando a gente percebe, lá se foram 10 anos! Aproveita!!!”
Quando o relógio apitou avisando que eram seis horas da tarde, levantou correndo. Tinha que ir buscar minha prima no aeroporto e saiu em disparada.
Foi a última vez que o vi com vida...
Momentos são insubstituíveis. Assim como algumas pessoas.
Hoje chorei...
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