domingo, 20 de fevereiro de 2011

Festa pra quê?

Finalmente fui conhecer o famoso Queen Victoria Market, na esquina da Victoria e Elizabeth Streets. O lugar é gigantesco e foi construído em 1878! Adoro conhecer estes lugares cheios de histórias. E lá tem de tudo, desde frutas, verduras, carnes, peixes e frutos do mar, tudo fresquinho e de primeira, até roupas, acessórios e presentes. Tudo muito limpo e organizado. E os preços são ótimos graças à quantidade de comerciantes, gerando uma saudável competição.
Eu, Katty e André ficamos responsáveis pela comida do churrasco e o resto do povo, 2 australianos e 5 brasileiros, ficou de comprar as bebidas. Churrasco de domingo, que delícia!
Enquanto nos perdíamos no meio de tantas opções deliciosas, parei em uma das barracas de frutas e perguntei onde era a sessão de churrasco. Um casal ao meu lado respondeu que não sabia, pois era sua primeira vez no mercado e seu primeiro mês na Austrália.
Na mesma hora chamei Katty e André e apresentei o casal de japoneses Togo e Akemi. É claro que convidamos os dois para o nosso churrasco imperdível e eles adoraram o convite.
Estávamos voltando para casa após as compras quando Akemi, muito delicada e falando muito baixo, me perguntou:
“É aniversário de quem?”
“De ninguém”, respondi.

“Então por que vocês vão fazer uma festa?”

Esta é uma das coisas que mais adoro quando viajo. O choque de culturas é fantástico. Você começa a perceber que coisas que para você são absolutamente normais, para outras pessoas são totalmente absurdas.

Respondi dando risada:
“Brasileiro não precisa de motivo pra fazer festa!”
“Melhor ainda, brasileiro vê em qualquer coisa, motivo pra fazer festa!”

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tá ao contrário???

No meio da rua, andava sem rumo. Não olhava as horas, não pensava em nada, caminhava, caminhava, caminhava... Não importava pra onde estava indo, nem de onde tinha vindo. Andava pelo simples prazer de andar em um mundo novo.
Passeava entre as pessoas, a maioria na natural correria do dia-a-dia e me mantinha em um mundo a parte, onde seus protagonistas todos andavam em câmera lenta e pareciam flutuar ao som de música erudita.
Tudo parecia estar em seu devido lugar e era de uma perfeição quase irreal.
Totalmente influenciada por esta aura de divagação, olhei para o lado esquerdo e dei o primeiro passo em direção à rua. Como não avistava nenhum carro, dei o segundo passo. Na mesma hora em que iria começar o terceiro passo, a música erudita foi cortada bruscamente por um grito e uma freada ensurdecedora.
Quando abri os olhos, estava paralisada no mesmo lugar, com um carro enorme parado a 30 cm do meu lado direito.

Lição do dia: jamais faça divagações na hora de atravessar a rua em um país com mão inglesa.  Essa eu não esqueço mais! J


Cuidado com a mão inglesa!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Coisas...

Coisas que já fazem parte da minha vida desde que comecei esta viagem: comer torrada com manteiga e vegemite no café-da-manhã. Só australiano sabe o que é, geralmente nenhum estrangeiro gosta, mas eu adorei e aderi; passar no Seven/Eleven (adoro este nome) para comprar crédito para o celular; devorar pacotes e mais pacotes de TIM TAM de todos os tipos;  pagar o aluguel e receber salário toda a semana e sempre levar um casaco na bolsa.
Coisas que adoro aqui e não tem no Brasil: água mineral em todas as torneiras, até em banheiro público. Poder andar sozinha na rua de dia, de noite e de madrugada sem qualquer medo de violência. Não ver lixo no chão. Não ter engarrafamento. Esperar pelo trem e ele chegar exatamente no horário.
Coisas que adoro no Brasil e não tem aqui: joguinho de futebol em cada canto, aqui é o cricket. Feijoada de domingo! Nossa, essa deu saudades! Restaurante por kilo. Uma idéia maravilhosa como esta e não achei nenhum por aqui! Os restaurantes geralmente são à La carte ou você tem que escolher duas ou três combinações para fazer o prato. Lugares para comer a hora que você quiser. Aqui tudo fecha muito cedo e quem gosta de comer tarde, ou tem que ir ao Seven/Eleven ou fazer estoque em casa.



Segunda feira foi dia dos namorados! Ou melhor, Valentine´s Day! Ganhei uma rosa vermelha do Anatole! Muito fofo. Os franceses são tão românticos...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Balanço de viagem

Desde que cheguei em Melbourne tenho acompanhado um período intenso de chuvas. Além disso, tem um friozinho que não me deixa largar a manga comprida. E o vento então? Aqui venta pra caramba e a sensação de frio aumenta bastante com isso.
Aproveitando uma tarde de sol, fui passear no Fitzroy Gardens, que fica relativamente perto de casa. É um lugar muito lindo. A natureza, a tranqüilidade... Conheci a cabana do Capitão James Cook, o descobridor da Austrália. Ela foi construída na Inglaterra em 1755, mas em 1933 foi dada como presente e reconstruída pedra por pedra no Fitzroy Gardens.


Cabana do Capitão Cook!


Não pude deixar de fazer uma comparação engraçada, salvando-se as proporções, entre o Capitão Cook e eu, na minha singela descoberta pelo mundo. Sentei em um banco de onde podia ver as pontas da imponente St. Patrick´s Cathedral e comecei a fazer um balanço da minha viagem até aqui.



Tudo tem acontecido em um ritmo muito intenso. Todo dia uma coisa nova, muitos amigos especiais, muita risada, muita ressaca, muita vida. Difícil conseguir explicar uma experiência como esta com palavras, a gente sente tudo com muita intensidade.
Pessoas que já fazem parte da minha história: Katty, claro, minha flatmate querida. Ela agüenta a invasão surpresa de brasileiros lá em casa sem reclamar e já está até arriscando uns passinhos de samba. André, o brasileiro que conheci no Réveillon e que se tornou um amigo-irmão, sempre pronto para tomar uma Pure Blonde geladinha e fazer a gente gargalhar um monte; Sunisa, nossa amiga thailandesa coragem; Antoin e Claire, que foram as primeiras pessoas que conheci aqui e que me proporcionaram a minha primeira carne de canguru da vida; Greg e Paula, que conheci através de Antoin e Claire; Dave e Simon, que são australianos autênticos e dividem a casa com André, junto com a americana Katie. E é claro, a turminha brasileira, sempre pronta pra fazer churrasco, festa sem motivo e explorar a cidade. Este povo eu conheci na rua, em frente ao Grace Darling Hotel, em Collingwood. Rodrigo, Pedro, Bruno, Gabi e Helen. Todos estão aqui estudando inglês e já viramos uma família. Brasileiro é bom por isso, sempre alegra todos os ambientes, faz de qualquer dia uma festa de arromba e é companheiro para todas as horas. E não posso esquecer do Anatole, meu primeiro beijo francês! Nos encontramos algumas vezes desde aquele dia no Cramers Hotel e está sendo muito divertido.
E neste primeiro balanço de viagem, só vejo pontos positivos. Tive muita sorte em conhecer pessoas legais, estou amando Melbourne e como estou acompanhando toda a preocupação com os desastres climáticos e suas conseqüências, me sinto envolvida pessoalmente, o que me faz me apegar ainda mais ao lugar.

Me sinto feliz e muito livre! E esta é a melhor sensação que já vivi em toda a minha vida.





                                                    St. Patrick´s Cathedral.




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Primeiro Beijo

Ok, Ok, chega de suspense. Eu estava no Cramers Hotel com a Katty e falávamos das reviravoltas do amor. Contei à ela minhas aventuras amorosas, inclusive aquele clepto que namorei por 5 meses. Não tive muitos namorados, mas com certeza tenho muitas histórias pra contar.
Já um pouco alterada por causa do gim e tônica, tentava chegar ao banheiro quando um moreno de olhos verdes parou na minha frente. Simplesmente me olhou nos olhos e me beijou longamente. Não consegui nem lutar contra, mas confesso que parar não era exatamente minha vontade naquele momento.
Quando parou de me beijar olhei para ele com cara de surpresa.
“Sorry, I could not resist”, ele disse.
Na mesma hora o puxei pelo pescoço e devolvi o beijo com toda a intensidade com a qual ele havia me beijado.
“Me neither”, respondi. E entrei no banheiro às gargalhadas.
Quando saí, ele me esperava sorrindo. Seu nome é Anatole, é francês e está deixando Melbourne em um mês.
Eu e Katty saímos do Cramers antes que fôssemos colocadas pra fora.
Sabia que aqui na Austrália as leis contra o álcool são bem rigorosas? E se você estiver um pouco altinha corre o risco de pagar o maior mico sendo expulsa do pub.
Preferimos não arriscar e fomos cambaleando pra casa. Estou pra encontrar meu novo amigo francês por estes dias.
Meu primeiro beijo de 2011 não podia ter sido melhor e de um jeito engraçadíssimo! Adorei!

No dia seguinte eu e Katty ficamos com a maior ressaca! Mas as risadas valeram a pena! 




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Amor X Rejeição

Lembra da Sunisa, nossa amiga thai que tinha um noivo, mas havia se apaixonado por uma americano? Pois o noivo dela chegou. Quando conheci me deu até medo. Me pareceu daqueles bem machistas, cara de durão, todo sério. Sunisa disse que ele é daqueles bem tradicionais.
Ela nos pediu pra conversar com ele aqui em casa porque não sabia que reação ele iria ter. Depois de conhecê-lo, eu também achei uma ótima idéia ela não estar sozinha com ele neste momento.
Ficamos na sala enquanto eles conversavam no quarto da Katty, o mais distante para eles terem mais privacidade. Enquanto isso seu amor americano ligava sem parar para saber notícias.
Eles ficaram lá dentro por mais de uma hora. Não ouvimos um ruído sequer. Quando a porta se abriu ele caminhou até a sala, com Sunisa logo atrás. Quando nos viu, levantou a cabeça e vimos que seus olhos estavam inchados de tanto chorar. Se curvou nos cumprimentando e saiu sem dizer uma palavra.
Sunisa o levou até a porta e voltou chorando. Mas chorava de felicidade. Havia conseguido falar toda a verdade para o noivo, que ajoelhou aos seus pés implorando pra ela voltar. Disse que quase fraquejou quando ele disse que ela iria ser rejeitada pela família, mas o amor falou mais alto. E ela estava orgulhosa de si mesma por ter conseguido. E nós também!
Depois que Sunisa saiu correndo atrás do seu grande amor para contar as novidades, eu e Katty ficamos um tempão na sala pensando no noivo rejeitado. Realmente as aparências enganam. Quando o vi pela primeira vez pensei que ele poderia até ser violento com ela. Mas o máximo que ele fez foi cair de joelhos e implorar para ela voltar. Coitado, com certeza a noite dele vai ser péssima...
Com este ar de romance e rejeição no ar, fomos ao Cramers Hotel na Cramer Street. Lugar bem legal, gente bonita... Coisas bem legais aconteceram por lá. Mas isso é história pra outro dia!
E viva o amor!




domingo, 6 de fevereiro de 2011

Fúria da Natureza

Demorei para escrever porque simplesmente estamos vivendo momentos muito intensos aqui. Os alagamentos em decorrência das chuvas já atingiram Melbourne e até a linda Flinders Station ficou embaixo d´água. Áreas como Dandenong, Richmond, Dynon Road, St. Kilda Rd e Werribee foram bastante atingidas e a chuva torrencial no centro de Melbourne alagou diversas ruas.
O pior não é isso. Após os sérios alagamentos em Queensland matando mais de 30 pessoas, um ciclone de ventos de 300 kilômetros por hora atingiu a região. Todos ficamos muito apreensivos, mas felizmente a população foi avisada a tempo de irem para abrigos improvisados dentro de shoppings centers.
As notícias de desastres climáticos tem deixado todo muito preocupado. Nestes momentos podemos ver o quanto as pessoas são solidárias e fazem o que podem para ajudar.
Apesar dos problemas com as chuvas, comigo as coisas vão bem. Consegui um trabalho de babá e cuido de uma menina linda de 4 anos, a Sophie. Fica bem pertinho de casa, na Grange Street. Trabalho só de 8h às 14h e depois fico livre. Pra mim está sendo ótimo, pois conviver com uma família australiana legítima é um grande aprendizado. Fora que eu ainda ganho uma graninha. Os pais da Sophie são ótimos. Eles tem só 35 anos e são casados faz 6 anos. Ela é professora em uma escola primária e ele é corretor de imóveis.
Achei uma ótima idéia conseguir um emprego aqui. Quero realmente sentir como é a vida local e com todos estes acontecimentos climáticos fica difícil ficar à parte.
Devo estender minha estadia em Melbourne, pelo menos até as coisas se acalmarem.
Bom, imagino que este vai ser um problema em todos os lugares por onde passar. Decidir a hora de partir... Enquanto este momento não chega, sigo vivendo intensamente.
Vamos torcer para o sol brilhar!