sábado, 28 de maio de 2011

The Rocks

Sydney é um lugar fantástico. Pessoas amigáveis, lugares lindos, cada vez que saio de casa é uma nova descoberta. The Rocks é muito especial. Só de andar pelas ruas e entrar nos pubs parece uma viagem no tempo. Cada local que você olha, cada loja que você entra, cada passo que você dá, é uma nova sensação. Bairro delicioso de visitar, não importa se é dia ou se é noite. Aliás, a noite fica ainda mais charmoso, com todas as luzes acesas desenhando o lugar. Você chega e logo se sente à vontade. Aquelas ruas tranqüilas e construções antigas, amei!
Outro dia juntamos uma turma e fomos até o The Argyle Rocks. É uma boate linda e enorme. Cada pedaço dela é um espetáculo a parte. Eu adorei e todos se divertiram muito. Cheguei logo devorando um cachorro-quente ótimo que eles vendem na parte aberta do lugar. Depois fomos conferir por dentro e é muito lindo. Na parte de baixo, sofás decoravam o salão enorme, dividido por colunas antigas e com luminárias que davam o maior charme. Na parte de cima era a pista de dança, agitada pelo DJ que ficava em um aquário suspenso. Até o banheiro mereceu uma olhada! Muita gente bonita. Dançamos muito e saímos de lá acabados. Mesmo assim, voltamos a pé pra casa. Além de pertinho, é super seguro, não importa a hora da madrugada.

É estranho. Às vezes nem parece que eu estou aqui só de passagem...

Se continuar assim só vou acabar esta volta ao mundo daqui a 10 anos! J

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Chatswood

Eram 7 da manhã quando Kate tocou a campainha. Fui atender com a cara mais amassada do mundo porque fiquei horas conversando no Skype com a minha mãe de madrugada. Ela estava de pijama e meias e bebia uma caneca de café. Tinha uma missão para mim. E disparou sem nem respirar: “Preciso que você vá até Chatswood pegar um vestido vermelho com minha amiga loira de cabelos curtos chamada Lindsay em frente ao Zenith Theatre, esquina da Railway St. com Mcintosh St. Ufa!” E enfim respirou.

“Ok, eu vou! Que horas?”
Antes que eu pudesse olhar para o relógio e ver as horas, ela me empurrou para dentro.

“AGORA!”

Kate é a pessoa mais enrolada que eu conheço. Ela sempre está desesperada porque deveria estar em dois ou até três lugares ao mesmo tempo. Uma comédia. Desta vez ela tinha uma entrevista de emprego e estava nervosíssima. E assim que terminasse ela iria passar em casa, pegar o vestido e ir encontrar sua irmã na Oxford St. para ir ao casamento da própria mãe a três horas de distância de Sydney. É ou não é enrolada?

“É o terceiro casamento dela! Acabei deixando o vestido para a última hora! Você vai, não é? ” Saiu falando pelo corredor.
“O dia começou agitado...” pensei, com um sorriso no rosto.
Deixei Jess dormindo e saí em direção a Chatswood. Estava um friozinho, mas o céu estava lindo!
Não tive nenhuma dificuldade em achar o Zenith Theatre, bem perto da estação. Mas por enquanto nada de Lindsay, a amiga loira de cabelos curtos. Sentei nas escadas e esperei. Vinte minutos depois a rua continuava vazia, a não ser por uma menina falando ao telefone que andava de um lado para o outro. Ela era morena e tinha os cabelos na altura do ombro. Falava baixo, mas parecia discutir com alguém. Dez minutos depois, ela desliga o telefone, vem na minha direção e diz:
“Seu nome é Ana?”
“Lindsay?”
Ela faz que sim com a cabeça.
“Nossa, eu nunca iria te reconhecer!”
“É que faz tempo que eu e Kate não nos vemos! Ela deve ter esquecido que eu mudei o visual.”
“É a cara da Kate ter feito isso! Toda enrolada...”
Enfim peguei o aguardado vestido vermelho e me despedi da Lindsay. Ela até me pediu desculpas por não ter me visto logo, mas estava discutindo a relação com o noivo. Acontece.

Quando voltei para a estação o movimento já era maior. Enquanto esperava o trem comecei a olhar em volta e percebi de verdade como eu estava longe de casa.

Do Outro Lado do Mundo.

Deixei dois trens seguidos passar só para ficar sentindo esta estranheza mais um pouco.
Chatswood me trouxe uma sensação diferente. Não sei nem explicar.
Adoro quando isso acontece.




domingo, 15 de maio de 2011

Preocupação de Irmão

Pergunta do meu irmão ontem pelo Skype:
“Você vai ficar morando aí em Sydney com esse cara? Desistiu de dar a volta ao mundo?”
“Desistir? Claro que não!” Respondi.
A pergunta é pertinente. Desde que cheguei aqui tenho vivido uma rotina como se não fosse partir. Apenas uma semana depois de chegar já estava trabalhando e dividindo apartamento com Jess e seu primo americano Brian. A três portas de distância fica Kate, que virou uma amigona. Aulas de surf duas vezes na semana, compras no Coles com freqüência e é claro, o que não podia faltar: amigos brasileiros! Conheci o casal Manu e Fábio quando estava com Jess e Kate no 3 Wise Monkeys Pub. Já viraram parte da galera!
Estou feliz e muito bem adaptada à vida por aqui. Nem parece que cheguei faz pouco tempo. E é justamente isso que me faz não ter ainda uma data para seguir e nem um destino certo.
Minha história com Jess está caminhando no ritmo da música. E isso me faz muito bem. Um dia de cada vez.
Estou aproveitando o fato de ter conseguido um bom emprego para juntar um dinheirinho, afinal quando chegar a lugares onde não falo o idioma vai ser bem difícil trabalhar.
Minha vontade de dar a volta ao mundo não diminuiu nem por um segundo. Continuo com aquele friozinho na barriga só de pensar. Mas ao mesmo tempo, já me sinto fazendo parte daqui.

Vista da Sydney Tower! 250m de altura!




sábado, 7 de maio de 2011

Uma vida em menos de 30 dias

Abro os olhos. São 8 da manhã. Ouço o barulho do chuveiro e vou direto preparar o café. Friozinho da manhã, dia ensolarado, torrada quentinha. “Cadê o Vegemite?”
Jess sai do banheiro enrolado na toalha, molhando toda a sala. Até que não está tão friozinho assim... “Que tal mais um banho?”
As torradas esfriam sorridentes na mesa da cozinha e o relógio pára por alguns instantes. Minha hora favorita do dia.
Sigo em direção á Town Hall Station e exatamente às 9:30hs entro no metrô em direção à Bondi Junction. De 10hs ás 13hs ensino português para um casal e um homem na faixa dos 40 anos. Todos australianos. Em três meses eles irão de mala e cuia para São Paulo a negócios e estão desesperados por não saber nada da língua. Hora do almoço. Tem dias que é comida chinesa, ás vezes thailandesa... “O mexicano dali também é ótimo!” E tem dias que não tem nada melhor do que o bom e velho fast food. Desço a Bondi Road a pé e sempre reparo no estilo das casas e no movimento das ruas. Mas não sigo sempre reto. Bifurcação à direita. Meu destino é Tamarama! Que praia linda!


Tamarama Beach

15hs. A aula vai começar. “Nunca pensei que pudesse aprender a surfar!” Quer dizer, em tão pouco tempo não posso chamar exatamente de surfar, mas o espírito é que conta. Água salgada, bem gelaaaada! “Sabe que já estou até me acostumando com a temperatura? E eu aprendo rápido! Já fico quase de pé na prancha e não levo caldo faz 8 dias.” Sensação maravilhosa!

Banhozinho nos banheiros da praia, que estão sempre limpinhos, não importa a hora nem o dia. “Demorei muito no banho! Já são 17hs!” Corro com os cabelos molhados e a bolsa toda bagunçada e subo as escadas que dão para a rua principal. Lá está ele me esperando para ir pra casa.
“Jantarzinho na casa da Kate? Que ótimo, não precisa nem pegar o elevador! E amanhã continuamos o circuito Quero conhecer um pub novo por semana!

A vida é mesmo uma caixinha de surpresas. Quando a porta do hall se abriu e Jess me ofereceu ajuda para entrar com minhas duas malas e sem uma rodinha, não fazia idéia do que iria acontecer. Apenas três portas de distância da casa da Kate. Este encontro parecia mesmo inevitável.

 “O céu está estrelado! Eu sei que bebi um pouco de vinho, mas estou achando que o céu aqui na Austrália é mais perto do que o céu no Brasil. Não parece que dá pra pegar nas estrelas? Será que existe alguma explicação científica?” Risada geral.

Hora de ir dormir. “O jantar estava uma delícia! A gente se vê amanhã!”

“Que corredor comprido! Não eram só três portas de distância?”

 “Chegamos! E que tal um banho de banheira?”

“Acho perfeito para terminar o dia!”


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tropeço do Destino


A sensação de pisar em Sydney foi completamente diferente da que eu tive quando pisei em Melbourne.
Já eram quase 21:30 quando saí do aeroporto. No táxi até o centro da cidade, vi as ruas bem vazias. As poucas pessoas que caminhavam, se protegiam do vento forte que insistia em sacudir as árvores com toda a vontade. A escuridão em contraste com as luzes acesas das ruas dava uma sensação de calma e tranqüilidade.
Fui direto para o apartamento da amiga do Dave na George Street. Na verdade ela é ex-namorada dele, mas como ficou tudo numa boa, ele conseguiu uma vaga pra mim por uma semana. Muito legal!
Quando desci do táxi as coisas estavam mais agitadas. O movimento nas ruas, o cinema ali pertinho, os bares, os restaurantes... Antes de avisar a Kate que eu havia chegado, parei com as minhas duas malas na calçada da George Street e fiquei só observando.
Em Melbourne eu me senti completamente livre, uma sensação que não dá pra descrever.
Em Sydney, era como se eu já fizesse parte de tudo aquilo. Outra sensação indescritível.

Quando uma pessoa parou e perguntou se eu estava perdida, vi que quem estava sendo observada era eu. Comecei a puxar as duas malas até o hall de entrada do prédio e vi que uma das rodinhas estava faltando. Como isso foi acontecer? Procurei, mas deve ter ficado no táxi.
Na mesma hora a porta se abriu e um morador que estava de saída me ofereceu ajuda para entrar.

Eu ainda não sabia, mas minha viagem tomaria outro rumo a partir dali.



                       A primeira foto em Sydney só podia ser desta obra de arte! Ópera House!