sábado, 23 de julho de 2011

Fim das Aulas

A experiência de ensinar três australianos a falar português foi inesquecível. Além da sorte de ter conseguido este emprego ótimo, meus alunos Tyler, Charlotte e Simon eram pessoas maravilhosas e me ensinaram muito também.
Tyler era solteiro e tinha 38 anos. Apesar de ser super tímido, tinha um senso de humor todo especial. Na primeira aula tive que fazer força para ouvir a voz dele e seu programa de fim de semana é ficar jogando vídeo game.
Uma semana antes das aulas acabarem, perguntei se ele estava com medo desta mudança repentina para o Brasil.

“Esta viagem vai mudar a minha vida para sempre. Que bom. Já estava enjoado dessa vida aqui.” respondeu.

Charlotte e Simon são mais novos. Ela tem 25 e ele 26. Super apaixonados, eles encaram esta mudança para São Paulo como uma aventura.
Simon passava a aula toda admirando Charlotte. Acho que eu nunca vi ninguém tão apaixonado assim. Se bem que Charlotte realmente tinha algo especial. Era muito bonita, mas não era só a beleza. Ela transmitia doçura e força ao mesmo tempo. É uma daquelas pessoas que você olha e pensa: “Esta pessoa tem alguma coisa que eu não sei explicar o que é, mas é diferente das outras pessoas. Como se tivesse uma luz que brilha mais forte que a dos outros.”

Fiz o que eu pude para ensinar pelo menos o básico da língua, mas não foi nada fácil. Foi ensinando que percebi como a nossa língua é difícil. Mas os três estão de parabéns, pois aprenderam várias coisas importantes em pouco tempo.
Nossa última aula foi um bate papo com todas as dicas que eu podia dar. Uma espécie de manual de sobrevivência com frases importantes, lugares para ir, um pouco da cultura, das gírias e tudo mais. Imagina só como vai ser quando eles chegarem em São Paulo na próxima semana? Com certeza todos irão se assustar com a multidão que vive lá, porque aqui em Sydney tem espaço de sobra.  

Encerrei a aula pela última vez.

Boa viagem e boa sorte! A aventura de vocês vai começar!


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Blue Mountains

Fim de semana de muuuuito frio, mas com dias ensolarados. Depois de ver a previsão do tempo, toda a turma resolveu ir até Blue Mountains. Que lugar incrível!
Fomos sem reservar nada e conseguimos um hostel bem agradável. Como chegamos já no fim da tarde, a aventura da noite foi no Carrington Bar. Com uma disputa de quem conseguia agüentar mais shots de tequila, eu, Jess, Kate, Brian, Manu, Fábio e acreditem, até Owen, nos divertimos pra valer. É claro que Brian ganhou o desafio e todos os outros tiveram que fazer um showzinho no palco do bar. Muito engraçado!




Mesmo com a maior ressaca, todos conseguiram acordar e pegar o ônibus de turismo para conhecer o parque. O frio estava castigando e tive que vestir camadas e mais camadas de roupa para suportar.
Recomendo o passeio a todos, pois a natureza aqui é de tirar o fôlego! E como o dia estava lindo, tivemos uma visão privilegiada de todas as atrações.




The Three Sisters, a atração mais famosa, possui 922, 918 e 906 metros de altura respectivamente e é um espetáculo à parte.

The Three Sisters


Enquanto admirávamos a belíssima Gordon Falls, Owen puxou Kate num canto. Só depois fiquei sabendo o que aconteceu naquela hora, mas não era novidade para ninguém que ela estava super interessada nele. Por causa de tudo que aconteceu na véspera do casamento, Owen estava de relações cortadas com toda a família. Desde então ele pula de sofá em sofá na casa dos amigos, incluindo Kate. Naquela hora, em frente àquele incrível cartão postal, Owen disse que ainda estava confuso, mas que estava gostando dela. Dali saiu o primeiro beijo e depois eles não se desgrudaram mais.





Gordon Falls


Com o fim das minhas aulas muito próximo, sinto que Jess está cada vez mais apreensivo. Natural, é claro. Mas temos vivido um dia de cada vez, sem muitas perguntas. Até porque, apesar deste assunto me dar um frio na barriga, ainda não tenho data, nem destino para ir. Apenas estou deixando as coisas acontecerem naturalmente.

Valeu agüentar todo o frio! O fim de semana foi perfeito!



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tempo

Como parar o tempo?
Lembro de quando eu era criança e que esperar pelo Natal durava uma eternidade.  Que os 12 meses do ano pareciam durar 24. E quando finalmente o fim do ano chegava, o Natal anterior já era só uma lembrança distante.
Pois parece que aceleraram o tempo!
Os 12 meses agora parecem durar 6. Nem bem me despedi do ano passado, lá está o novo ano, louco para entrar em cena.
Pois é. O Natal ainda não chegou, mas é como se fosse.  
Quem diria que eu estaria no mês de julho, escrevendo sobre Sydney! Não dá nem para acreditar.
E sabe quando me dei conta disso? Ontem, quando conversava com meus alunos australianos sobre a ida deles ao Brasil. Os três meses de aulas já estão se acabando, ou seja, minha hora de partir está cada vez mais próxima.
Com isso martelando minha cabeça, encontrei Kate no Centennial Park para uma caminhada. O frio está ficando cruel por aqui e com o vento a sensação é ainda maior. Ela logo notou minha preocupação.

“O que aconteceu?”, perguntou.

“O ano está voando. Não dá nem pra acreditar!”, respondi.

Ela me olhou nos olhos e sorriu com o canto da boca.

“Vou sentir muito a sua falta.”