Eram 3 horas da manhã quando ela acordou sozinha na cama. Na noite anterior não havia acontecido nada incomum. Colocou a filha de 5 anos para dormir e jantou com o marido como fazia todas as noites. Ele parecia mais calado que o normal, mas como estava se recuperando de uma gripe forte, achou isso natural.
Apesar do frio que fazia naquela época em Merimbula, saiu da cama e andou até o quarto da filha. Quando viu a cama vazia, correu para a sala chamando pelo marido. Nenhuma resposta. Continuou chamando pelos dois por mais algum tempo, quando viu a boneca preferida da sua filha caída no jardim. Na mesma hora o pânico tomou conta dela. Sua filha jamais se separava da boneca, nem para tomar banho. Correu novamente até o quarto dela e abriu o armário. Ao ver que estava completamente vazio, começou a gritar e logo depois, desmaiou.
Quando abriu os olhos novamente, respirou aliviada.
“Este foi o pior pesadelo que já tive!”, pensou.
Ao olhar em volta, não reconheceu onde estava e viu sua irmã sentada ao lado da cama.
“Então não foi pesadelo?” perguntou.
Sua irmã balançou a cabeça negativamente.
Foram sete anos de sofrimento, dúvida, mágoa e saudade. Neste período, emagreceu, envelheceu, mas não perdeu a esperança. Nunca entendeu os motivos que levaram seu marido a sumir no mundo com sua única filha. Mas a verdade é que não queria entender, só queria a filha de volta.
Depois de anos de buscas, finalmente o telefone tocou. Seu marido foi encontrado morando em Darwin, norte da Austrália. Ao ser cercado pela polícia, usou a menina de escudo e acabou atingido.
O reencontro foi estranho. A menina não via a mãe desde os 5 anos, agora já era uma adolescente. Ainda traumatizada por assistir a morte do pai, a menina se fechou. Demorou, mas aos poucos a mãe foi conquistando a confiança dela novamente e acabaram se tornando melhores amigas.
Dotty e Amy são realmente pessoas muito especiais e a história de vida delas é de tirar o fôlego.
Quando Dotty me contou estávamos dentro da St. Peter´s Cathedral. Toda semana ela vai até lá agradecer por ter encontrado a filha. As duas ainda participam de um grupo de ajuda humanitária que arrecada mantimentos e roupas para países mais pobres.
Sua força e determinação são realmente inspiradoras e a história delas vai me acompanhar pelo resto da vida.
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