Uma das coisas que me chama a atenção em Adelaide é que ao contrário de Sydney, Melbourne e Gold Coast, aqui é muito raro ouvir pessoas conversando em português nas ruas. Não tinha ouvido nenhuma vez desde que cheguei aqui, pelo menos até uma semana atrás.
Estava caminhando pela North Terrace em direção ao museu quando, em frente à belíssima State Library of South Australia, ouço uma voz vindo dos bancos:
“Tô perdido...”
E qual não foi a minha surpresa quando vi que, na verdade, quem falava esta frase era um autêntico australiano! Não pude me conter e fui lá falar com ele.
A história é ótima. Seu nome é Martin e faz dois anos que ele namora Renata, natural de Brasília. Ele não fala nada de português, só algumas palavras soltas. O mais engraçado é que ele aprendeu com ela algumas frases em português e gostou tanto da melodia delas que utiliza sempre, como se fosse sua língua nativa. A favorita dele é: “Tá nervoso? Vai pescar!” hahaha Simplesmente hilário.
O fato é que Martin se esqueceu do aniversário de namoro e agora tem que pensar em alguma coisa bem especial para levar para ela.
Isso explica o “Tô perdido” que ouvi vindo do nada...
Na mesma hora liguei para Dotty e pedi o nosso arranjo mais especial. Ele é tão lindo e grandioso que é capaz de derreter o mais furioso dos corações.
Resultado: o aniversário foi um sucesso e eu conheci minha primeira amiga brasileira em Adelaide. A irmã dela, Marina, também mora aqui. Adorei!
Outro dia fui com Amy, Martin e Renata no The Elephant British Pub. Experimentei a Abbot Ale e recomendo o fish and chips de lá. A fachada é uma graça e o bar super agradável. Vale à pena conhecer.
Por volta das 2 da manhã, Martin nos avisa que o pub ia fechar.
“Really?”, digo suspirando na mesa.
E ele finaliza todo sério e em ótimo português:
“Deus ajuda quem cedo madruga.”
E gargalhada geral.
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